Então, estou aqui escrevendo de novo, mas não sei bem o que dizer, as palavras muitas vezes me fogem e não me deixam completar uma linha, imagine um paragrafo, mas vamos lá. Escrevo muito do que sinto, pois não consigo me entender, então me transformo em palavra, em verbos, adjetivos e substantivos para ver se alguém me entende e consiga explicar aquilo que sempre me soa um mistério, eu mesma.
“Tu se achas indecente?” Sabe, eu não sei, sei que nunca sonhei em casar na igreja, usar um vestido enorme, e ver minha mãe chorando no altar, completamente orgulhosa de mim e emocionada pelo momento único em que estou e blá blá blá. Mas eu queria um amor, achei que nunca saberia amar alguém direito, na verdade até hoje não sei como se ama alguém direito, eu amo meio direita, esquerda, meio torto cambaleando, meio caindo pelas beiradas, meio embriagada, mas amo. Às vezes acho que não sirvo para namorar, trocar alianças, casar, pensar em um futuro, comprar uma casa na praia, ter filhos, um animal de estimação, quem sabe um cachorro ou um gato, se as crianças forem alérgicas um peixe ou uma tartaruga seriam melhores, escovas de dente juntas, e uma velhice de mãos dadas em duas cadeirinhas de balanço.
Mas agora me sinto completamente vazia, meu amor é tanto que transbordou de mim e tomou conta de tudo, amor é bom, mas as vezes nos leva a loucura, pois a razão não fica presente muito tempo, eu nem sei o que é seguir a razão.
Sim, é verdade que virei a esquina e cai em prantos, Júlio não foi o carinha que me deu o primeiro beijo, nem que me tirou a virgindade, ele estava ali completamente sozinho e meio cheio de tudo, tinha um rosto a primeira vista de mal, mas era uma doçura de pessoa, quando queria é claro, tinha aquele jeito de homem-com-pegada, e eu queria comprovar se ele era bom de cama, não vou mentir queria sexo, queria ele, não queria amor, mas merda, aconteceu. Não, ele também não foi o primeiro a me fazer sofrer, eu já tinha minhas cicatrizes assim como ele tinha as dele, mas acontece que Júlio não passou, todos se foram, todos passaram, ele não, e pegou meu amor pra ele, me deixando vazia.
Vazio, bem o vazio na verdade é algo cheio de tudo sem nada, como eu estou agora, mas não tenho nada, porque te dei tudo. Realmente tudo, e mais umas frases programadas que gravei pra dizer quando te visse, porque queria que você as soubesse, e depois me conformar a ir pra casa ouvindo Pink Floyd e levando assovios e motos buzinando pra mim, toca lá de vez em quando um Led Zeppelin, no meio das minhas musicas e lembro-me do dia que me fez ver o DVD do show deles deitada ao teu lado de mãos dadas, eu não conhecia muito a banda, mas ela me lembrava de você, as suas roupas no meio armário também me lembram muito você, a gente, elas ficaram, você não, e eu continuo te amando meio cheia de tudo, meio vazia de ti.