E depois de tanto tempo resolvo eu te escrever, sabe, eu me pergunto até que ponto jogamos e até que ponto fomos nós mesmo. Em qual parte da estrada nos perdemos?
Bem eu sei que te perdi logo de inicio, ou será que eu perdi mesmo? As vezes acho que nunca me pertenceu, não escrevo para lhe culpar, para me fazer chorar, para nos perdermos mais, escrevo por que sinto uma saudade enorme do que fomos, lembra? Éramos tão tolos e donos da verdade, e donos de si próprios, confesso a você que me olho no espelho hoje, e me pergunto se ainda comando meus próprios passos, é preciso dizer adeus, nos dois sabemos, nossas juras de “pra sempre estarei ao seu lado” não iam durar mais do que uns dois ou três anos, mas eu cheguei a acreditar em para sempre com você, eu cheguei a acreditar em mim, por culpa sua e tudo que me tornei foi culpa sua, as coisas ruins e todas as boas, e não vejo porque chorar e amaldiçoar o que sinto, não hoje.
Eu não queria precisar mentir, jogar, esconder, brincar, mas você me levou a isso, e tem certas coisas que eu não posso explicar, mas essas seriam as que quem sabe te fariam ficar.
Você nunca foi uma perda de tempo, só acho que a gente devia ter usado ele melhor, eu só queria apagar as coisas boas, como o teu abraço, o teu cheiro, o teu casaco. Essas coisas boas ficam para foder com a cabeça da gente sabe?
Você me ensinou a me preocupar mais comigo mesma no momento em que me deixou sem proteção, e eu me vi tantas vezes solta na chuva andando pelas ruas sem rumo.
A vida nos traz coisas boas, mas nos leva aquilo que amamos, e vejo que com o tempo tudo isso está se acabando.
Caio Fernando já dizia “de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.”