Violeta estava perdida, mas afinal de contas, quem não se perde as vezes?
Estava perdida sem razão para tal, talvez por viver em um mundo só seu, talvez por achar que esse mundo não lhe pertencia.
Não tinha amor para lhe escrever cartas, não havia nela nem ao menos motivos para chorar, ou sorrir.
Não tinha cães nem gatos, não sentia o ar a sua volta, não percebia mais as cores, ela esqueceu-se de sentir os odores dos momentos que vivia. Até mesmo seu próprio rosto refletido em um espelho não era mais familiar.
Pensava a muito que o melhor era partir... Encerrar essa vida tão banal. Pensava que para ela já era tarde.
Tarde para quê Violeta? Tarde para amar? Tarde para sonhar? Tarde para viver?
Ora menina, então vá lá e jogue-se, estais no sétimo andar, será uma queda suficientemente boa para deixar de existir. Vamos! Desista de tentar, já que achas que está tarde para tentar ser você mesma. Ande Violeta! É bem mais fácil desistir do que se aceitar.